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segunda-feira, 17 de março de 2008

A Presença


Tirado do livro "O Despertar de Uma Nova Consciência" - Eckhart Tolle
Uma mulher na faixa dos 30 anos de idade veio se consultar comigo. Enquanto ela me cumprimentava, senti o sofrimento por trás do seu sorriso educado e superficial. Ela começou contando a história da sua vida e, um segundo depois, seu sorriso se tornou uma expressão de dor. Em seguida, começou a soluçar de maneira incontrolável. Disse que se sentia solitária e insatisfeita. Acalentava muita raiva e tristeza. Quando criança, fora vítima de maus tratos infligidos por um pai violento. Logo constatei que sua infelicidade não era causada pelas circunstâncias da sua vida atual, e sim por um corpo de dor muito pesado que se tornara o filtro através do qual ela analisava sua situação de vida.Essa mulher ainda era capaz de detectar a ligação entre a dor emocional e seus pensamentos e estava identificada com ambos. Ela não conseguia ver que continuavaalimentando o corpo de dor com seus pensamentos. Em outra palavras, vivia com o fardo de um eu profundamente infeliz. De algum modo, contudo, deve ter compreendido que a origem daquilo estava no seu próprio interior, que ela era uma carga par si mesma. E estava pronta para despertar _ por esse motivo decidira ir àquela consulta.
Direcionei o foco da sua atenção para o que estava se passando dentro do seu próprio corpo e lhe pedi que sentisse a emoção diretamente, que não usasse o filtro dos seus pensamentos infelizes, da sua história triste. Ela disse que esperava que eu lhe mostrasseo caminho para sair da infelicidade, e não para entrar nela. Porém, mesmo relutante, atendeu minha solicitação. As lágrimas rolavam por sua face, todo seu corpo tremia.
_ Neste momento, o que você sente é isto _ eu disse _ E não há nada que você possa fazer nesse sentido. Mas, em vez de querer que este momento seja diferente do que é, o que lhe causa ainda mais sofrimento, consegue admitir completamente que é i9sto que você está sentindo neste exato instante?
Ela ficou calada por alguns segundos e depois respondeu com raiva:
_ Não, não quero aceitar isso.
_ Quem está falando? _ perguntei _ Você ou sua infelicidade? Consegue ver que sua infelicidade com o fato de ser uma pessoa triste é apenas outra camada de infelicidade?
Mais uma vez ela ficou calada.
_ Não estou lhe dizendo para fazer alguma coisa. Tudo o que estou pedindo é que descubra se tem condições de permitir que seus sentimentos permaneçam com você. Em outras palavras, e elas podem parecer estranhas: se você não se importar em ser infeliz, o que acontecerá com a infelicidade? Não quer descobrir?
Por uns instantes ela pareceu confusa e ficou ali sentada em silêncio por um minuto mais ou menos. De repente, notei uma mudança significativa no seu campo energético. Depois respondeu:
_ Isto é esquisito. Ainda estou infeliz, mas agora existe um espaço em volta da minha infelicidade. Ela parece ter menos importância.
Essa foi a primeira vez que ouvi alguém descrever a situação desta maneira: existe um espaço ao redor da minha infelicidade. Esse espaço, é claro, é criado quando há aceitação interior de qualquer coisa que estejamos sentindo no momento.
Não falei muito depois disso para permitir que ela vivenciasse a experiência. Mais tarde, essa mulher compreendeu o que havia acontecido. No momento em que ela interrompeu a identificação com o sentimento, isto é, com a antiga emoção dolorosa que acalentava, no isntante em que lhe dirigiu sua atenção sem tentar resistir, essa emoção deixou de ter a capacidade de controlar seu pensamento e, assim, de se misturar a uma história construída mentalmente chamada "Como Sou Infeliz".Outra dimensão havia se manifestado na sua vida e transcendia seu passado _ a dimensão da presença. Como ninguém pode ser infeliz sem uma história triste, aquilo representava o término daquele sofrimento. E também o começo do fim do seu corpo de dor. A emoção em si não é infelicidade. Apenas a emoção associada a uma história triste é infelicidade.
Depois de encerrada a sessão, foi gratificante saber que eu tinha acabado de testemunhar o surgimento da presença em alguém. A própria razão da existência na forma humana é trazer essa dimensão de consciência para o mundo. Eu também assistira a uma diminuição do corpo de dor, e não lutando contra ele, mas levando-lhe a luz da consciência.

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"ATÉ QUE VOCÊ INCORPORE SEU INCONSCIENTE NO PLANO CONSCIENTE, ELE VAI DIRIGIR SUA VIDA E VOCÊ VAI CHAMÁ-LO DE DESTINO" Carl Gustav Jung
EXISTE UMA PARTE SUA QUE VOCÊ NÃO TEM CONTROLE CONSCIENTE SOBRE ELA, E QUE INFLUÊNCIA GRANDE PARTE DE SUA VIDA, NO QUE VOCÊ ESTÁ MANIFESTANDO AGORA, ESSA PARTE É A SOMBRA, E TUDO QUE ESTÁ NA SOMBRA ESTÁ INCONSCIENTE PARA VOCÊ.